Krahô | Espectros de uma Travessia

Fotografar é produzir espectros. Espectros de paisagens, acontecimentos, encontros, espectros de pessoas, espectros de vidas. Para além de um “porta-voz da verdade”, de um “guardião das memórias”, o fotografo é meio extrator, meio fabricante de coletâneas fantasmagóricas de percepções dos lugares e das coisas. Com quais traços haverá o fotógrafo de trazer ao mundo os espectros de homens, de povos, de culturas? Que será que ele oculta? Que será que seu ensaio revela? Que será que se torna visível? Que será que se torna dizível?

As imagens que aqui se vê não descrevem um panorama de uma cultura indígena e de seus aspectos fundamentais. Vemos aqui espectros da travessia de um fotógrafo e um palhaço cearenses entre os índios Krahôs, em sua reserva no interior de Tocantins.

FICHA TÉCNICA//
Fotografia: Felipe Camilo
Concepção: Felipe Camilo/Mário Filho
Videomaker e Assistência de Montagem: Fernanda Brasileiro
Realização: Coletivo Pã e ATOA – Associação Trama de Olhares em Audiovisual

SOBRE//

Os Krahôs, indígenas do centro-oeste receberam a alcunha de um “povo que ri”, tendo em suas aldeias um sacerdote do riso: o hotxuá. Como que um palhaço, mas mais que um ofício, subverter a ordem é sua prática sagrada – cotidiana e ritualística.

Nessa busca por espectros desse riso Krahô, o fotógrafo/sociólogo Felipe Camilo e o palhaço/pesquisador Mário Cruz Filho viveram uma rica experiência de alteridade para além do que buscavam. Vivenciando o idioma, os hábitos entre sincretismos e resistências, a batismos, casamentos, ritos fúnebres e sobretudo, vivenciando o cotidiano das aldeias, foi possível estranhar nossas próprias culturas.

Estar no lugar do outro, permite que nós brasileiros, urbanos, herdeiros de uma cultura europeia e cristã, percebamos como a vida, a morte, o tempo e o riso podem ser experimentados com afetos e maneiras tão diversos dos nossos modos de vida do lado de fora da reserva indígena.

Na expectativa de que a fotografia menos relate uma experiência e mais insinue percepções sobre os retratados, encontramos no ensaio realizado alguns espectros que povoaram um olhar fotográfico durante essa travessia krahô.

AGRADECIMENTOS// 

Este projeto foi apoiado pelo edital de incentivo às artes da SECULT/Ce (2011) e não seria possível sem o apoio de Ismael Aprakt que nos recebeu em sua aldeia e nos guiou ao longo de toda a reserva Krahô. A companhia de Mário Cruz Filho foi fundamental para a realização e concepção de cada imagem. A série fotográfica aqui presente também leva os esforços dos membros do Coletivo Pã (em especial Karlo Kardozo) e da Atoa – Associação Trama de Olhares em Audiovisual – em especial Henrique Kardozo e Guilherme Silva. A montagem da Exposição e do vídeo levaram os esforços de Fernanda Brasileiro.

logos-atoa-pan

Previous Post

© 2018 Felipe Camilo