Livro Perecível



/Perecível (fotografias, haicais e outros escritos)

O livro ‘perecível’ reúne sua experiência sensível em dois tomos de páginas soltas, sendo o primeiro uma série fotográfica e o segundo um conjunto de ‘haicais menores e outros exercícios poéticos’. A publicação surge no intento de partilhar vivências e encontros de um corpo a envelhecer junto de sua urbe.


‘Perecível’ traz retratos nos bairros históricos de Fortaleza revelados sobre a clorofila das folhas mais comuns aos jardins dos condomínios que a construção civil prolifera pela cidade. Se por um lado as folhas da arquitetura contemporânea constrangem as formas dos rostos, por outro a bricolagem de faces captura a efemeridade do ‘suporte-folha’ para nos indagar sobre as relações entre memória e duração – sobre a passagem do tempo na cidade e nos citadinos. Trata de um perambular pelo centro comercial, pela praia de Iracema, mas sobretudo pela Jacarecanga, bairro órfão das elites da metrópole – lá onde se percebe em seus casarões e idosos vestígios de uma cidade que envelhece. Aqui um corpo é vetor de ressignificação de memórias em ampla devoração. do sol, dos pés, da construção civil, das histórias, das políticas, das poesias. aqui a brevidade é soberana.

O tomo literário ‘Coração de Rã’ possui duas formas poéticas quase a se antagonizarem: o conciso haicai com suas 17 sílabas e o ‘retrato narrado’ que se prolonga sem interrupções de pontos ou vírgulas. Este último vem como páginas soltas de um diário do qual fora retirada a pontuação para ser lido com toda a insegurança de um fluxo de pensamento – uma pequena saudação a ‘Galáxias’ de Haroldo de Campos. O haicai, abordagem tomada aqui no ato fotográfico e literário, segue as pistas de poetas como Matsuo Bashō, Alice Ruiz, Paulo Leminski e Adriano Espíndola, e da fotógrafa Letícia Kamada que experimenta essa poética de perceber o presente e o arredor com imagens. Menos com o minimalismo de Masao Yamamoto, que também carrega esse espírito contemplativo, e mais com Eustáquio Neves em suas composições profusas de elementos e significados. O trabalho de revelação na clorofila de folhas de árvores, também presente na obra do uruguaio Fede Ruiz Santesteban e do francês Benoit Fournier, se inspira principalmente na obra do vietnamita Binh Danh. Busca-se aqui salientar a fragilidade e as metamorfoses da memória diante da passagem do tempo na cidade. Entre as folhas encontramos retratos de familiares do autor que firma sua passagem pela casa dos trinta anos cruzando um pouco de sua biografia com a de Fortaleza.

É o primeiro livro do artista na seara da fotografia e da literatura. Com produção do coletivo da Trama de Olhares, o projeto teve as contribuições de Fernando Jorge, Guilherme Silva e Iana Soares na edição fotográfica, revisão de texto por Joice Nunes e produção/assistência de pesquisa por Fernanda Brasileiro. Sua realização, que data de 2015/2016, foi apoiada pela Secretaria da Cultura do Município de Fortaleza através do Instituto da Bela Vista e a publicação também contou com financiamento coletivo. Também foi aprofundado no Projeto Imagens Não-Reveladas conduzido por Silas de Paula e Rian Fontenele entre 2016/2017. Algumas de suas imagens reveladas na clorofila de folhas estiveram expostas em 2017 na ‘Mostra de fotografia etnográfica da RAM’ – Reunião de Antropologia do Mercosul no Museu Juan Yaparí (Argentina).


Serviço
Livro Perecível (fotografias, haicais e outros escritos) / Autor Felipe Camilo
http://fb.me/livroPerecivel / https://www.instagram.com/livroperecivel/
Valor da publicação R$35
Produção Independente, o livro é comercializado via internet (pague seguro ou depósito bancário) e em Fortaleza estará disponível na Livraria La Marca. Tirar dúvidas em contato@felipec.com.br

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